domingo, 1 de janeiro de 2012

Primatas com polegar opositor.


É incrível como existem momentos em nossas vidas em que parece que nada esteja acontecendo. O mundo não responde ao nosso grito, momentos em que parece que todos os nossos sonhos são apenas sonhos e que não há previsão de quando nossa vida será agitada com uma notícia capaz de mudá-la.

Mesmo assim a experiência tem me ensinado que não devemos nos desesperar, agir de forma precipitada e forçar a barra para que aconteça algo em nosso favor. Tenho aprendido que assim como numa partitura musical, existem notas graves, agudas e também há pausas, e tudo isto faz parte de uma harmonia musical que é a sinfonia de nossa vida. Saber esperar e agir na hora certa é um dom que obtemos através do tempo, dos anos, através da experiência.

Existem momentos em nossas vidas que o melhor a fazer é deixar o barco ir em direção da correnteza. É verdade que não existe muita glória em cruzar os braços e esperar, mas quando você pára, tem uma oportunidade enorme em fazer alguns reparos. Talvez o maior ganho seja o auto-conhecimento. Conhecer-se a si mesmo é um prerrogativa para o sucesso e disto nenhum das grandes personalidades da história discorda.

Fazer o que os outros fazem apenas por fazer não é a atitude de um ser racional. Devemos como indivíduos interferir na sociedade de modo a levá-la a um próximo estágio de evolução e não apenas sermos moldados por ela de forma passiva. De qualquer forma, agir por agir não é sinal de inteligência.

Um artista é um indivíduo que usa a arte, seja qual for a forma de arte, para expressar o que está dentro de si, e esta arte exposta aos demais semelhantes atinge-os de forma a promover a reflexão e movê-los para um novo patamar de conhecimento. Isto é fato. No entanto, o artista precisa de ter um momento consigo próprio para conceber sua indagação, seus porquês e produzir através de sua arte a ferramenta que será objeto de reflexão das massas.

Logo o indivíduo precisa ter este momento consigo próprio, esta pausa que tanto questionamos quando acontece conosco. Como é dificil produzir algo genuinamente original, quando somos forçados a agir num momento de pausa. Muitas das pessoas, artistas ou não perdem sua identidade porque infelizmente cedem a uma forma de arte enlatada, comercial onde precisam produzir o tempo todo visando o lucro.

Não quero fazer deste texto um protesto, apenas quero dizer que todos somos livres para fazer o que sentimos que devemos fazer. Tudo o que fazemos deveria ter um propósito, mesmo quando não fazemos nada tem que haver um propósito, não apenas para vender ou para lucrar, somos livres, somos seres pensantes, primatas com polegar opositor.

Podemos andar, correr, voar... mas antes de darmos o primeiro passo devemos saber de onde viemos, quem somos, onde estamos e onde querermos chegar. Feliz 2012!