sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Este não é um blog de autoajuda.
Ok galera é o seguinte, antes que me perguntem: Não, definitivamente este não é um blog de autoajuda. A começar quero informar que este termo, tecnicamente, não existe. Este termo foi criado apenas para classificar e acomodar uma enorme quantidade de livros que não tinham uma classificação exata e não se encaixavam nas categorias que já existiam nas prateleiras das livrarias.
Quando o termo foi introduzido há algumas décadas atrás, foi uma verdadeira revolução para as editoras e para aqueles que organizavam as prateleiras nas estantes das livrarias. Livros escritos por pessoas que apenas queriam expor suas idéias ou trazer algo novo à literatura popular foram inclusos nesta categoria que tem a pretensão de tirar alguém de um ponto inferior e levá-la a um ponto transcendental de conhecimento. Ponto este que habilitaria a qualquer um a resolver todos os seus problemas. Bobagem.
Se você for pensar comigo, todos os livros de certa forma fazem isto: te conduzem de um ponto A para um ponto B. Há um ditado que diz: “Por pior que seja o livro, todo mundo aproveita, pelo menos, cerca de 10% daquele livro“. Então todos os livros de certa forma exercem o papel de ajuda ao leitor.
Indo um pouco mais a fundo no termo, “autoajuda“ refere-se à capacidade de um indivíduo ajudar-se a si mesmo, como se todas as respostas estivessem dentro dele, logo este não precisaria de artifícios externos, caso fosse necessário um livro fazê-lo, seria um livro de ajuda e não um livro de autoajuda.
O mesmo fenômeno acontece com o termo “autodidata“. O indivíduo bate no peito, enche a boca e diz: “Sou autodidata“. Espera um pouco aí, como assim autodidata? O cara se gaba de ter lido um livro “x“, joga todo o trabalho todo do autor/escritor daquele livro pelo ralo e diz que aprendeu sozinho. Com isto fico indignado. Nós seres humanos somos a espécie animal que mais demora para entrar na fase adulta... demoramos quase um ano inteirinho para ajustar os sensores do nosso corpo para começarmos a dar os primeiros passos de forma totalmente independente. Péra lá, não venha me dizer que você aprendeu sozinho.
A verdade é que precisamos viver em sociedade. Precisamos do outro, pois aprendemos a andar porque observamos que os outros, nossos semelhantes, se locomovem desta forma, andando. Escolhemos nossa profissão porque vimos alguém em exercício daquela profissão, ou pelo menos ouvimos a respeito daquela nobre função seja ela qual for. Caso contrário, estaríamos em modo vegetativo, plenos de total ignorância e abstraídos das experiências que nos fazem evoluir.
Noutras palavras, aprendemos pelo olhar, através da observação, através dos acertos e dos erros, analisando nossos semelhantes, e sobretudo, exercendo a autocritica, reconhecendo nossa total insignificância diante da riqueza de eventos e acontecimentos que a vida e o mundo nos fornece.
E vendo tudo isto penso: como é nobre você dizer que aprendeu algo em um lugar e apontar o lugar em que você aprendeu. Honrar os mestres que se dedicam no ofício de ensinar e garantir que outros, que virão depois de você, possam aprender assim como você aprendeu. Pense nisto!
Espero que você tenha entendido que este blog não é um blog de autoajuda.
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