terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Réu-Confesso!



Eu sei que todos queremos justiça. Haja vista o que tem acontecido com o caso Linderberg. A imprensa tem noticiado e comentado incansavelmente a respeito deste caso porque está ocorrendo nesta semana, após 3 anos, o julgamento do infeliz que matou a menina Eloá, e o ser humano gosta que a justiça seja feita. É como que se cumprindo a vontade do povo de ver o dito cujo pagar pelo crime que cometeu Deus, o Justo Juíz, estivesse honrando a vida da pobre garota que já descansa.

É claro que eu também quero ver o rapaz pagar, afinal, com intenção ou não, a verdade é que o infeliz disparou arma de fogo e atingiu a moça. Contra fatos não há argumentos. Então justiça seja feita. O curioso de se notar em nós é que ficamos em paz quando vemos a justiça ser feita. Afinal não é um inocente, é um ser culpado. E sabemos que aquele que faz o mal uma hora tem que pagar a conta, não importa quem seja. É o que se espera.

Podemos encher a boca pra falar que o cara tem que ser culpado, afinal ele é o assassino e não nós. Ora, eu e você estamos bem longe de agirmos como este meliante. Mas a verdade é que estamos longe de sermos perfeitos. Não dá pra comparar um crime bárbaro com nossos deslizes diários que possamos cometer, não tem nada a ver mesmo!

Mas a verdade é que não somos perfeitos. Todos os dias estamos sujeitos a ter algum tipo de desvio de conduta. Uma mentirinha aqui, outra ali não farão mal a ninguém, não é mesmo? Quando estamos dentro de um relacionamento sério, por exemplo, pode acontecer de nos depararmos com aquele pedaço de mal caminho, aquela gostosa que você jamais pensou existir ou para as moças aquele deus grego, rs.

É extremamente confortante saber que ninguém pode ler meus pensamentos certas horas, porque se soubessem, acho que todos me repudiariam por causa apenas da minha criatividade. Pensando bem todos não, mas apenas os moralistas e os falsos moralistas. Este pessoal existe aos montes. É tanta gente querendo gerenciar o que a gente faz que não brincadeira. Acho que diriam que estou deshonrando os mais velhos, que estou sendo a vergonha da família, sei lá... o que me dá a entender é que quando é pra condenar, coibir ou retaliar o outro é mais fácil e mais divertido.

Ok eu confesso, sou culpado, sou réu-confesso e tudo quanto falam de mim tem um pouco de verdade. Mas eu sou assim, sou autêntico, não consigo viver a vida fingindo ser o que não sou. Sei do que gosto e do que não gosto. Entendo meus pais e os mais velhos, mas eu não consigo esconder o que está dentro de mim. Quero pedir perdão pra todos, mas não sei deixar de ser eu. Isto deveria ser algo positivo pois a sociedade tende a esconder o que tem vontade de fazer e muitas vezes não o fazem com medo de ser mal-vista ou de sofrer represálias.

Houve um tempo em que eu costumava me esconder, mas percebi que não consigo, talvez porque eu deva ter a mente muito poluída, sei lah, mas se pra você é fácil se esconder, meus parabéns, mas pra mim não é. Lembro que uma vez eu estava passeando com uma ex-namorada, e contra nossa direção vinha uma loira, pelo menos acho que era loira, confesso que não notei muito os cabelos, sequer lembro se era bonita, porque tudo o que eu me lembro é daquele decote, dos seios quase saindo pra fora, e naum tive como evitar meu olhar, por alguns segundos fiquei hipnotizado ao ponto da garota que estava comigo dar um grito como quem diz: "PRA ONDE VOCÊ ESTÁ OLHANDO?!!!!" eu fiquei completamente desconcertado porque naum imaginei ter dado tamanha brecha. Porque eu era um rapaz perfeito.

Isto serviu pra me ensinar que por mais que você tente fingir, ou se esconder é impossível evitar que as pessoas percebam quem você é, principalmente as pessoas que estão à tua volta, aquelas que te amam. O problema é que você nem sempre está com aqueles que te ama, nem sempre está com alguém confiável e um belo dia vão te desmascarar. É bom que você esteja preparado para isto.

Mas fique tranquilo você não é nenhum Lindenberg, é apenas uma pessoa comum, com pensamentos comuns. Todos somos terríveis aos olhos da sociedade puritana, mas se escondemos quem somos, somos então respeitados. Deveria ser o contrário, mas não é, a idéia aqui é quem mente mais. Se você não mentir pra você, você mente pra sociedade e segue a vida e é aceito por ela assim. Mas peço licença e desculpas a todos porque eu não consigo fazer parte disto, não consigo mentir.

Se você não quiser saber não me pergunte, porque vou ser muito sincero. Normalmente as pessoas entram no jogo de não serem sinceras porque necessitem fazer transações, trocas de bens ou de favores umas com as outras e isto as levam a se adaptarem ao sistema, o que não é uma coisa ruim, nem um sinal de covardia, é apenas uma opção ou uma necessidade momentânea. Isto eu entendo perfeitamente.

O que eu não entendo é que quando alguém é desmascarado todos os demais tendem a querer a condenação imediata, as pessoas esquecem que também são falhas e também estão sujeitas ao erro. Estamos todos aprendendo a lidar com tudo isto. É verdade eu posso não ser um assassino, mas tenho tantos defeitos que não sei se posso gritar: "Crucifica-o!"

Sou pecador sim, isto é fato, mas aprendi que tem uma pessoa que pagou por todos os meus pecados, se ninguém me aceitar, Jesus me aceita, Eu realmente encontrei o perdão em Jesus e isto me fez uma pessoa melhor, e a igreja, ao contrário do que acham as pessoas descentes, é um lugar exclusivo para pecadores. Se você não é pecador não precisa de salvação, mas eu sou e encontro abrigo lá.

Reconheço que temos leis e aqueles que as infrigem, uma vez nas mãos da justiça, devem acertar, pagar as contas com a sociedade. Este é o caso do jovem Lindenberg. Ele pode até ter encontrado a Jesus na prisão, pode até ter tido seus pecados perdoados pelo Mestre, mas diante da sociedade deve satisfação. Então que pague, depois saia e siga sua nova vida.

Tudo o que sei que é temos o direito de querer ser quem quisermos ser, só não temos o direito de sermos injustos. Condenar alguém é fácil, quando não é você ou quando não é alguém que você ama, mas perdoar é uma tarefa impossível a muitas pessoas. Espero que descubram o perdão antes de elas mesmas serem condenadas, talvez não pela sociedade, mas pela própria consciência.


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