terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Como se mede uma pessoa?



Uma das coisas que mais gosto é, de verdade, conhecer uma pessoa. Conhecer alguém fora de meu convívio, alguém com outras idéias, olhares, pensamentos e pontos de vista. Quem é que não gosta neh? Alguém interessante é sempre bem-vindo. Quando isto acontece, praticamente é um novo mundo que se abre, novas possibilidades e tudo isto justifica o simples fato de sair de casa, sair do mundo virtual um pouco.

Em contrapartida, não há nada mais terrível ao conhecer alguém, do que você ouvir uma espécie de questionário com o intuito de te desqualificar ou investido de interesses egoístas, como por exemplo: "Onde você mora?" ou "Onde você estudou?" De modo que se você disser que mora numa região menos favorecida pelo poder público, ou seja, numa região pobre, isto dá o direito de acharem que você é menos qualificado ou simplesmente está no lugar errado.

De igual modo, quando vc ouve um "Onde vc estudou?" malicioso, é capaz de você, ao dizer que estudou numa escola pública, ser tido como alguém desprovido de qualquer sanidade mental, inápto à qualquer forma de cultura, em outras palavras, praticamente um semi-analfabeto.

É bem verdade que na questão de ensino público, o Brasil, infelizmente não é nenhuma referência mundial. E daí? Ainda sim, não consigo entender o porquê de as pessoas terem este tipo de comportamento. Infelizmente as pessoas, de um modo geral são preconceituosas em algum ponto.

Se eu sou bonito, pinta de modelo, com rostinho lindo, me pergunto: Que méritos eu tenho? Que culpa tenho eu se o DNA de meus pais me fizeram lindo? Então por quê eu sou sempre favorecido e meu amigo, desprovido de tal sorte, é sempre preterido? Por quê será que as pessoas inconscientemente o ignoram, quando naum, o desprezam?

Tenho aprendido muitas coisas a respeito das pessoas ao longo da vida. Sei que existe um pouco de primitividade como a tal da "seleção natural" que é a mesma que te ajuda a escolher uma fruta boa e de qualidade numa feira livre, por exemplo. Se a fruta estiver desbotada, suas cores não estiverem vivas e a casca firme a fruta não presta para consumo.

Mas se levarmos em consideração que somos moldados à medida em que vamos crescendo, que na verdade nosso maior trunfo é a nossa consciência, e não nossa aparência, acho que cabe a mim ao menos questionar este comportamento primitivo de escolher o objeto pela aparência e não pelo conteúdo.

Eu já citei aqui, em outros posts, nossas virtudes de sermos seres pensantes e tudo mais, mas acontece que em dados momentos, principalmente quando não conhecemos o objeto em questão, nosso comportamento recorre aos sinais aparentes, até que se aprofunde o relacionamento. Falo objeto porque é assim que nossa consciência trata os desconhecidos antes de promovê-los a pessoas de verdade.

Os homens vêm, rostinhos, seios, bundas, decotes. Não importa nossa idade, nem a idade delas. Isto é o que salta aos olhos. Já as mulheres pensam em abrigo, segurança, capacidade de prover à prole recursos vitais para seu desenvolvimento, em outras palavras: a carteira. Claro que um rostinho bonito faz toda diferença, afinal pai lindo, filhos lindos e melhores oportunidades de encontrarem segurança num mundo ditado pela aparência. No entanto dentro das prioridades, um bom cartão de crédito está à frente da beleza.

Claro que tudo isto num primeiro momento. Após alguns meses ou anos de relacionamento a gente começa a pesar o que realmente importa e esquece toda esta primitividade. Aquela mulher que era extremamente gata/gostosa e o cara que era lindo e dono de uma ferrari passam a ser coadjuvantes em nossa vida. Infelizmente nos acostumamos com a beleza que já não salta mais aos olhos e a riqueza que não compra mais nossa dedicação/amor.

Com sorte podemos transferir nosso sentimento, amor terno e puro para nossos filhos, quando Deus assim nos abençoa, mas em casos onde o relacionamento não proveu tamanha benção, este sentimento vai minguando até se extinguir por completo. Se a esta altura ainda houver uma chama em nós, um desejo, uma vontade de nos sentirmos vivos, vamos inevitavelmente procurar formas de contornar esta situação, seja começando um novo relacionamento ou entrando numa relação extra-conjugal.

Só existe apenas uma forma de este amor entre as duas pessoas jamais se acabar. É conduzir este amor de modo que se concretize numa sólida amizade. Ambos tendo interesses diversos, mas sendo amigos acima de tudo, podem manter um relacionamento por décadas até o tão sonhado "até que a morte os separe".

Mas pra se ter uma amizade verdadeira, firme e sólida não precisa que o outro(a) seja lindo(a). Apenas que saiba ouvir. Não precisa gostar das mesmas coisas necessariamente, mas que antes de tudo haja respeito nas escolhas feitas por ambas as partes. Não dá pra ter amizade de verdade quando uma das partes é extremamente egoísta, levando ao ciúmes exacerbado. Sequer é necessário ter dois braços, duas pernas, ou ser branco ou preto, ou ser alto ou baixo, loiro ou moreno, franzino ou bombadão. De quê valem estas coisas, quando nada disto é garantia de felicidade?

Eu sei que parece óbvio tudo isto, mas então por quê vivemos a medir as pessoas pelo que aparentam ser se o que vale mesmo é a atitude? Uma das coisas cruciais em uma amizade acaba sendo mesmo a cumplicidade que é construída ao longo dos anos. E não necessariamente precisa ser um casal. Saber ouvir um segredo e respeitar o silêncio do outro, saber agir de forma altruísta realmente faz a diferença.

É facil colocar o outro numa tabela-padrão e ver se este se encaixa nas tuas vaidades. Isto só mostra quão pequeno você é. Sinceramente tanto faz em qual escola ela estudou, ou onde ela mora. Tudo o que sei é que quando ela por suas atitudes me conquistar, vou ensinar tudo o que sei a ela, se quiser, e ela vai morar no meu coração. Pra sempre!

5 comentários:

  1. Realmente não se mede pela aparência e tão pouco pela condição financeira, no meu SIMPLES ponto de vista apenas se mede pela sinceridade e veracidade.

    CM

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    1. Sabe Cris gosto da tua simplicidade, às vezes a praticidade nos proporciona os momentos mais memoráveis da vida!

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    2. Eu disse: "...às vezes..." ademais, receio que em linhas gerais nossa vida deva estar alicerçada em algo mais sólido e este alicerce firme, reflete em atitudes mais seguras e estruturadas.

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